ESPORTES: “La Pelota está en Minas Gerais” – Por que o seu time está cheio de gringos?

O futebol brasileiro sempre se notabilizou no mercado como um celeiro de craques. Para contar com bons jogadores em seus elencos, as alternativas comuns entre os grandes clubes no Brasil eram basicamente três: formar jogadores na base, contratar jogadores que se destacavam em times de menor expressão ou investir em atletas já consagrados que vestiam as cores de outros clubes no território nacional. Raramente, ainda era possível repatriar um grande jogador brasileiro que estava na Europa, como Atlético e Flamengo fizeram em 1995 trazendo os heróis do tetra Taffarel e Romário, respectivamente.

Era fato não ser uma constante a presença maciça de jogadores dos nossos países vizinhos no futebol brasileiro, como conta a história dos anos 90, e mesmo a da primeira década dos anos 2000. Claro que haviam exceções de destaque como o zagueiro paraguaio Gamarra, o volante colombiano Rincón, e o lateral direito Arce, que fizeram muito sucesso no Brasil, os dois primeiros pelo Corinthians e o último pelo Palmeiras. Em Minas Gerais o argentino Sorín não foi apenas um dos maiores laterais da história celeste, mas ainda hoje é uma lenda viva para o torcedor cruzeirense.

Naquele tempo um argentino em especial foi especulado e aguardado a cada janela de transferências para desembarcar em terras tupiniquins, torcedores de todos os grandes clubes nacionais sonhavam em abrir os jornais pela manhã e receberem a confirmação de que o meia Román Riquelme defenderia seu amado time. Mas este desejo sempre foi em vão, para todos. O filme se repetia ano após ano: Riquelme permanecia no Boca Juniors e era sempre algoz de algum brasileiro na Libertadores. Mas nossos olhos se fixavam nele e paravam por aí. Não havia mais o que procurar no futebol sul-americano, todo o resto era esquecido e ignorado por imprensa, jogadores e, claro, também pelos dirigentes.

Essa realidade começou a mudar. O futebol ficou cada vez mais caro, as folhas salariais de grandes clubes alcançaram números estratosféricos; enquanto isso, favorecidos pela economia, os times europeus, árabes e japoneses faziam o que queriam no Brasil. Levavam os grandes craques, os nem tão craques e até atletas ainda no começo da formação profissional. Estava inviável competir com o Euro, com as montanhas de dinheiro dos sheiks e com o Iene, mas a maior revolução no mercado da bola dos últimos tempos se deu com o fortalecimento da liga chinesa.

Investidores chineses, com negócios obscuros, viram no futebol uma boa forma de lavar seu “honesto” dinheirinho e começaram uma turnê bilionária pelo mundo na captura de jogadores. Os chineses começaram a tirar atletas de grandes clubes europeus, com salários nunca antes praticados no esporte e, claro que também fizeram isso aqui no nosso país, levando não apenas quem joga, mas também quem treina.

Se o Brasil sofria com o assédio financeiro de outros centros para levar seus jogadores, ele poderia fazer o mesmo na América do Sul e fez. Com uma influência econômica grandiosa sobre os demais países do Mercosul e com a moeda mais valorizada da região, o Brasil se voltou para um novo celeiro de possibilidades. Jogadores de países como Venezuela e Equador, que antes nem eram cogitados, ganharam muito espaço nos clubes brasileiros.

 O Atlético resolveu apostar neste mercado e se deu bem. O diretor de futebol do Galo, Eduardo Maluf, e o presidente do clube, Daniel Nepomuceno, já estavam monitorando bons jogadores e apresentaram ao Brasil os talentos do equatoriano Juan Cazares e do venezuelano Romulo Otero. O clube ainda conta com o zagueiro Erazo, companheiro de Cazares na seleção do Equador, e com o titular da seleção argentina Lucas Pratto.

O Cruzeiro também fez as compras no mercado sulamericano nos últimos anos e com alguma competência. Os argentinos Ramón Ábila, Ariel Cabral e Lucas Romero dão ao clube o retorno esperado. Mas quem brilha mesmo é o uruguaio De Arrascaeta, autor do gol da vitória azul no clássico da última quarta-feira. Arrascaeta parece ter se adaptado de vez ao futebol brasileiro e tem sido destaque no Cruzeiro. Além destes, o clube este ano ainda reforçou a zaga com o equatoriano Kunty Caicedo, titular de sua seleção.

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Amante do futebol, skatista há mais de uma década, entusiasta de automobilismo e apreciador de esportes em geral. Acompanha os principais eventos esportivos nacionais e internacionais, muitos deles "in loco", para absorver melhor as emoções e repassa-las com maior riqueza de detalhes.