ESPORTES: Hora de jogar e planejar

O ano está chegando ao fim. É hora de colher os frutos do trabalho, para o bem ou para o mal. Enquanto em campo os clubes jogam por diversos motivos, desde um título nacional ou a fuga de um possível rebaixamento, fora dele muitos cartolas já se movimentam planejando a próxima temporada, além de analisar quais foram os acertos e os equívocos no planejamento desta. Para diminuir a margem de erro e aumentar os acertos é necessário que algumas questões sejam respondidas: Em qual série o clube estará? Disputará a Taça Libertadores no ano que vem? Respostas tais que mudam imensamente o orçamento e, claro, a maneira como se pode e deve encarar o ano que vem.

O Cruzeiro ainda pode salvar a lavoura vencendo uma Copa do Brasil e, claro, permanecendo na série A. Porém, independente do resultado no final da temporada, a China Azul não pode e nem deve se esquecer dos equívocos que foram se acumulando durante o ano. A começar pela contratação do “treineiro” Deivid, que nunca havia comandado nenhuma equipe, e de estagiário do ultrapassado Luxemburgo foi promovido a técnico de um gigante do futebol nacional. Os erros não pararam na escolha da comissão técnica, as muitas contratações equivocadas, como as de Sánchez Miño, Pisano, Rafael Silva, Douglas Coutinho e outros, minaram o orçamento e o clube, que estava sem dinheiro, errou com o pouco que tinha. A correção teve que acontecer com a aeronave em voo, e como isso não é o ideal, o reparo ainda não está completo e o time não se livrou do fantasma do rebaixamento, mas dá mostras de que continuará na elite do futebol brasileiro e que tem força para chegar bem nas finais da Copa do Brasil.

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Cruzeiro conquistou importante vitória diante da Ponte Preta no final de semana.

O Atlético fez um planejamento muito sólido para 2016, como tem sido nos últimos anos. Contratou bem, investiu pesado e montou um elenco muito forte para vencer um grande título, mas algo até agora não deu certo. Como se sabe futebol não é ciência exata, não se faz em laboratório e com balão de ensaio, muitas coisas fogem do controle e um ponto especifico até então atrapalhou – e muito – as grandiosas pretensões do alvinegro: os desfalques, causados pelas constantes contusões de atletas, e, também, pelas convocações.

O elenco do Galo foi alardeado pela imprensa nacional como o melhor do país e o presidente do clube, Daniel Nepomuceno, não poupou esforços para oferecer aos dois treinadores que teve no ano um elenco recheado de opções em alto nível, mas não contava que problemas físicos e contusões pudessem frustrar, e muito, suas expectativas. Mesmo lutando por título em duas frentes neste final de ano, é inegável que o atleticano esperava muito mais deste time, que ele sequer conseguiu ver por completo em campo como havia dito, seja pelas constantes e até então inexplicáveis lesões ou pelas convocações para seleções nacionais. O Atlético, hoje, oferta cinco jogadores para quatro seleções diferentes aqui na América do Sul.

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Atlético não conseguiu sair do empate com o Corinthians, mas segue na briga pelo título do Campeonato Brasileiro.

As próximas rodadas das duas maiores competições do Brasil vão dar o norte necessário para que em 2017 os erros que foram muitos não se repitam no próximo ano e que o futebol mineiro retorne às páginas primeiras da imprensa esportiva nacional como modelo de planejamento e gestão de qualidade. O Atlético precisa se movimentar para evitar que os problemas que o assolaram este ano não se repitam, sendo o grande desafio identificar e eliminar a causa. Já o Cruzeiro, além dos problemas habituais no planejamento anual, ainda tem que lidar com a questão política dentro do clube, que terá um novo presidente no ano que vem.

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Amante do futebol, skatista há mais de uma década, entusiasta de automobilismo e apreciador de esportes em geral. Acompanha os principais eventos esportivos nacionais e internacionais, muitos deles "in loco", para absorver melhor as emoções e repassa-las com maior riqueza de detalhes.