ESPORTES: Formar ou vencer? A prioridade das categorias de base no Brasil

Na última sexta-feira, 16 de junho, o Galinho, denominação carinhosa da torcida às categorias de base do Atlético, venceu a Copa do Brasil sub-20 em cima do Flamengo. Grande parte desse elenco vencedor já havia vencido também a mesma competição nacional em 2014, como sub-17, vencendo a final contra o Grêmio em noite de grande festa no Independência.

Ter uma base vencedora não é exclusividade alvinegra entre os principais clubes de Minas Gerais. Além do Atlético, que tem se destacado nos campeonatos nacionais e internacionais nos últimos anos, o Cruzeiro também tem feito bonito ao redor do mundo e o América sempre foi uma das maiores fontes reveladoras e vencedoras de base do futebol nacional.

Entretanto, a pergunta que os torcedores se fazem é sempre a mesma em relação ao investimento dos clubes nas categorias de base: é melhor vencer ou formar? Claro que conciliar os dois resultados de forma satisfatória seria o ideal, e ao contrário do que se pensa ser vencedor nos campeonatos de base não significa diretamente ser um grande clube revelador. O Santos é reconhecidamente o nosso maior celeiro de craques de todos os tempos e não é um papa títulos em categorias de base.

Com muitas transmissões ao vivo dos jogos de outras categorias, o torcedor passou a acompanhar mais seus futuros craques, o que tem apresentado muitas consequências no andamento da carreira dos futuros profissionais. Não raro, um ou mais jovens que poderiam ser aproveitados nos times principais não o são, porque os torcedores já os rotularam desde processo de formação e não esquecem suas falhas no tempo em que ainda eram apenas garotos e repetindo… em formação.

Ninguém tem a fórmula geral do sucesso do Santos para revelar tantos craques em tantos momentos distintos de sua história, mas me atrevo a dizer que conheço um dos ingredientes do clube que revelou Pelé, Robinho e Neymar. Já estive em muitos estádios pelo Brasil, conhecendo o comportamento de muitas torcidas, nenhuma tem tanta paciência com a prata da casa como a torcida peixeira. O torcedor santista é capaz de relevar mais o erro de um atleta formado na baixada do que o de jogadores medalhões e famosos que o clube contrata. Ao contrário de outras torcidas que se rendem à grandes contratações midiáticas, o santista oferta apoio incondicional a garotada.

Que os mineiros continuem vencedores na base, porém, que o alto investimento não sirva apenas para acumular troféus nas sedes. Mais que isso, a função da base é formar atletas que sirvam ao profissional para continuar escrevendo a história dos clubes e do futebol.

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Amante do futebol, skatista há mais de uma década, entusiasta de automobilismo e apreciador de esportes em geral. Acompanha os principais eventos esportivos nacionais e internacionais, muitos deles "in loco", para absorver melhor as emoções e repassa-las com maior riqueza de detalhes.