ESPORTES: Estrangeiros treinam mais que a delegação brasileira

Lançado em 13 de setembro de 2012, o Plano Brasil Medalhas contempla várias modalidades com investimento de R$ 1 bilhão na capacitação de atletas para a conquista do maior número de medalhas possíveis nos Jogos Olímpicos Rio 2016. A meta tracejada pelo governo é estar pela primeira vez na história entre os 10 melhores da competição. Com um histórico de sucessos, a Vela brasileira é a grande esperança do país em medalhas nas Olimpíadas, entretanto, sabe-se lá porque, ingleses, franceses, americanos e outros estrangeiros estão desde 2013 treinando diariamente na Baía de Guanabara (local da competição) – mesmo ela estando poluída.

As equipes mais fortes da modalidade instalaram suas bases na Baía e se dedicam a estudar o local, as marés, correntes de vento, clima e até a poluição que marca a raia olímpica. E mais, quando os jogos Rio-2016 começarem elas terão mais horas de treino na maré da Guanabara do que a própria equipe brasileira. “Os Estados Unidos não se encontram na melhor fase na nossa modalidade, mas estão aqui [na Baía de Guanabara]há um bom tempo. Mas as potencias Inglaterra, Austrália, França, que fez nos últimos quatro anos um trabalho impressionante, estão na Baía de Guanabara treinando e conhecendo tudo desde 2013”, apontou Marco Aurélio de Sá Ribeiro, presidente da CBVela (Confederação Brasileira de Vela).

Ainda segundo o presidente CBVela, a culpa do pouco tempo de treinamento dos brasileiros na região é do ministério e o problema queixado são os critérios exigidos para receber o bolsa pódio, que contempla os melhores brasileiros no ranking mundial com até R$ 15 mil reais.  “Nosso atleta é obrigado a correr atrás de resultado lá fora para poder ter ranking mundial e estar no bolsa pódio. Enquanto que o estrangeiro fica no Brasil treinando. No primeiro semestre de 2016, o atleta brasileiro vai passar quatro meses no exterior. Um velejador daqui faz pelo menos dez competições internacionais no mesmo ano. Se ele não está no ranking, perde o acesso ao bolsa pódio, porque precisa daqueles resultados, e a bolsa pódio é muito importante para ele e para nós”, justificou Ribeiro.

E mais uma vez nos encontramos reféns do nosso imediatismo sem um planejamento a longo prazo. Espero que não, mas se continuarmos a pensar só no resultado, medalhas e pódio poderemos perder em casa (de novo) até em nossa melhor modalidade.

Comentários

Lucas, Cabelo e até Lucão (juro!). Único filho homem em uma família com duas irmãs que, assim como todo brasileiro, também sonhava em ser jogador de futebol. Tão talentoso que do campo foi para o sofá e do sofá para o teclado. Hobbie? Bola. Seja redonda ou oval, grande ou pequena, com ou sem costura; a emoção é sempre a mesma!