ESPORTES: E o tal legado? Um prejuízo muito além dos 7 a 1

Quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014, além da oportunidade de ter a principal competição de futebol do planeta em nossa casa, nos venderam um tal legado, que seria, segundo o discurso da época, capaz de transformar a sociedade brasileira.

Um metrô pra cá, mais segurança acolá. Promessas que animavam o povo do Oiapoque ao Chuí. Uma esperança de dias melhores fora das quatro linhas, visto que, dentro delas, quando o assunto era Copa do Mundo, a gente não passava vexame. Felipão era o homem certo para trazer o tão sonhado hexa, o discurso do ganho social estava afinado e, de quebra, o “Maracanaço” seria enterrado. A final da Copa de 1950, que ficou conhecida como “Maracanaço”, quando o Brasil perdeu o título para o Uruguai e o goleiro Barbosa sofreu como filho ingrato da nação foi apagado, mas por um vexame maior: o fatídico 7 a 1.

Fato que a derrota em campo doeu e muito no brasileiro, mas é do esporte. A dor faz parte e a oportunidade do hexa já bate novamente em nossa porta com o trabalho brilhante do técnico Tite, mas o povo não queria apenas a taça, pois ainda somos os maiores campeões do mundo de todos os tempos.

Talvez a maior derrota do Brasil foi a não concretização do tal legado, ficamos sem taça e sem hospitais, sem metrô e sem escola. Como se não bastasse o absurdo, ficamos até sem estádios. Os “imbróglios” envolvendo Mineirões e Maracanãs Brasil afora tiraram do brasileiro o que já estava pronto.

Após a reforma que deu luz às arenas, o Mineirão ficou sem Galo e o Maraca sem Fla-Flu. Clubes tradicionais trocaram os estádios que usaram por décadas por uma vida nômade, afim de fugirem das armadilhas pregadas pelos governos e pelos consórcios. O torcedor carioca ficou órfão de Flamengo e outras arenas se transformaram em verdadeiros elefantes brancos, com altos custos de manutenção mensal para os governos estaduais.

O Hexa não veio, mas virá. Entretanto, o povo brasileiro deseja que não tenha sido tudo em vão e que o tal legado seja, pelo menos, uma nova consciência social, a da desconfiança em relação aos discursos vazios que abusam de nossa história e roubam nosso dinheiro.

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Amante do futebol, skatista há mais de uma década, entusiasta de automobilismo e apreciador de esportes em geral. Acompanha os principais eventos esportivos nacionais e internacionais, muitos deles "in loco", para absorver melhor as emoções e repassa-las com maior riqueza de detalhes.