ESPORTES: Comida e futebol – A tradição do prato nos estádios brasileiros

O Brasil é um país de dimensões continentais, sua grande extensão territorial colore seus pontos cardeais com diferentes cores. O povo brasileiro é múltiplo e poucos ambientes expõem tão bem essa riqueza cultural como os estádios de futebol do Caburaí ao Chuí.

Cada povo torce de um jeito bem peculiar: uns se fantasiam, outros se organizam na vestimenta, alguns gritam mais e há quem só aplauda. Entretanto, é na parte de fora do concreto que a identidade cultural daquele povo, daquela torcida se apresenta de forma mais evidente.

Nas ruas ao redor ou em frente ao estádio é que o povo reconhece em qual Brasil está. Mesmo com olhos vendados é possível afirmar se a partida de hoje é no Beira-Rio, no Rio Grande do Sul, ou no Barradão, na Bahia. O cheirinho das barraquinhas de rua marca sua referência geográfica com a precisão de um GPS.

Para nós mineiros, o Mineirão é sinônimo de Atlético, Cruzeiro e Tropeiro. No sul do país fazem grandes assados em brasa nas ruas adjacentes aos estádios, além do X-Coração, sanduiche enorme com recheio de coração de galinha e que é tradição dos torcedores dos pampas. Nas descidas do Barradão, em Salvador, é fácil encontrar um bom Acarajé com Vatapá e Caruru em tamanhos especiais.

Em coluna passada, lamentei a situação da Portuguesa em São Paulo pela questão desportiva, mas há quem deve estar sofrendo pela falta do famoso Bolinho de Bacalhau do Canindé, tradição lusitana que os imigrantes portugueses levaram pra capital paulista junto à paixão pelo futebol.

Os demais torcedores paulistanos encontraram no gosto pelo sanduiche de pernil um ponto em comum. A iguaria de rua, que já foi proibida nos estádios, é servida nas proximidades das duas novas arenas da cidade, a do Corinthians e a do Palmeiras, além dos tradicionais Morumbi e Pacaembu.

O futebol, como sempre reitero aqui, é um dos maiores patrimônios culturais de nosso povo. Por isso é importante que sua força seja usada de forma conjunta a outras importantes áreas de nossa cultura para fortalecermos a nossa identidade como nação, a fim de que tenhamos não apenas fome de gol, mas de tudo aquilo que some valor ao que somos.

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Amante do futebol, skatista há mais de uma década, entusiasta de automobilismo e apreciador de esportes em geral. Acompanha os principais eventos esportivos nacionais e internacionais, muitos deles "in loco", para absorver melhor as emoções e repassa-las com maior riqueza de detalhes.