ESPORTES: Biscoito ou Bolacha? Mineirão ou Independência? Torcida única ou dividida?

A primeira questão abordada no título talvez seja o tema de discussão mais importante na academia científica brasileira e pauta certa em qualquer espaço no nosso país. Entretanto, as outras duas sempre ocupam o espaço às vésperas do grande clássico mineiro entre Atlético e Cruzeiro.

A Arena Independência, localizada no bairro Horto, em Belo Horizonte, se tornou a casa principal do Atlético a partir de 2012, após a reforma do estádio. Na época, o então presidente do clube, Alexandre Kalil, conseguiu inúmeras vantagens financeiras para que o Galo mandasse os seus jogos no Horto e, para além das questões administrativas, a sintonia entre time, torcida e estádio rendeu ótimos números e inaugurou uma nova fase de glórias na história alvinegra.

No ano seguinte, em 2013, o Mineirão foi reinaugurado após as obras de reforma para as Copas da Confederação, realizada no mesmo ano, e a do Mundo, em 2014. A reinauguração aconteceu em um clássico entre Cruzeiro e Atlético com as torcidas divididas, como acontecia historicamente desde a abertura do estádio em 1965 e, desde então, os mais saudosistas insistem em polemizar sobre a importância da torcida dividida e de jogos no Mineirão sempre. Porém, é preciso que façamos uma análise mais criteriosa para entender as verdadeiras razões de cada lado nessa discussão sem fim.

A imprensa de modo geral defende que as partidas aconteçam sempre no Mineirão e com torcidas dividas e alguns vão além: acham que o Atlético deve deixar o acanhado estádio no Horto e voltar a mandar seus jogos apenas na Pampulha. Mas isso tem uma razão que vai além das quatro linhas e do saudosismo: O Mineirão é um estádio moderno e com melhor estrutura para os trabalhos da imprensa, não raro, jornalistas reclamam da internet, do acesso e até mesmo da comida que lhes é ofertada no Independência. Por isso, há um grande movimento da imprensa mineira e até nacional para tirar o galo do Horto.

O Horto atende a uma demanda pública importante, que é o serviço de metrô, um transporte barato, rápido e de menor impacto na vida da cidade em dia de jogo. Já os jogos na Pampulha trazem maior problemas de trânsito, de deslocamento por meio de transporte público e, ainda, na maioria das vezes, a conta sai mais salgada pro torcedor no final da partida somando todos os gastos.

O Cruzeiro, através da fala de seus dirigente, se mostrou na última semana muito confortável em jogar na Arena Independência, inclusive tem vencido os últimos clássicos realizados lá, mas exige, coberto de razão, que seus torcedores tenham o direito de assistir as partidas realizadas no estádio, mesmo que em número reduzido.

Pra mim, biscoito é biscoito, bolacha é bolacha e cada clube sabe onde o calo aperta mais, qual a melhor casa para seu time e onde esse pode render melhor. Contanto que os direitos das duas torcidas sejam preservados que o clássico seja disputado em qualquer uma das casas que pertencem, em geral, ao povo mineiro, afinal de contas, somos nós que até hoje pagamos por elas.

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