Cozinha e cinema

Preparem a pipoca que hoje eu quero falar pra vocês sobre alguns filmes que têm como tema a cozinha.

Tenho pavor daqueles posts à la BuzzFeed que são sempre “não sei quantas não sei mais o que que você deve/tem/precisa/necessita fazer/ter/ser/ver/conhecer”.

Desculpem-me pela frase acima, tá bagunçada, né? Tá, mas eu não resisti. (risos)

Falando sério (não que eu não estivesse falando antes), sou apaixonada por cinema e, se eu posso juntar minhas duas paixões (na verdade três, porque eu sempre faço verdadeiras farras alimentares para assistir filmes) em um único momento, porque não fazê-lo, não é mesmo?!

O primeiro filme é um clássico e qualquer um que estudou gastronomia, ou que é “chegado à coisa”, conhece. Se não conhece, deveria.

“A Festa de Babette” é de 1987. Um filme dinamarquês que contém harmoniosamente porções de drama e comédia e, claro, muita comida.

O filme é ambientado na Dinamarca do século dezenove e conta a história de Babette (Stéphane Audran), uma parisiense que chega fugida da repressão a um vilarejo na Noruega. Ela se oferece para ser cozinheira e faxineira de duas solteironas, Filippa (Bodil Kjer) e Martine (Birgitte Federspiel), que são filhas de um rigoroso pastor luterano. Babette trabalha para essa família por doze anos e um dia descobre que ganhou na loteria. Ao contrário do que esperavam, ela não retorna à França e, com o prêmio, resolve oferecer um banquete aos moradores da pequena vila em comemoração ao centenário do pároco. Suas receitas causam estranheza e certa resistência, mas, enfim, se rendem à festa de Babette.

O segundo filme é “brazuca” e eu tenho bastante apreço por ele. “Estômago” é dirigido por Marcos Jorge e tem no elenco atores bem conhecidos como Babu Santana (“Tim Maia, o Filme”) Fabíula Nascimento (“Tim Maia”, “Cidade dos Homens”) e Paulo Miklos (integrante da banda Titãs, “É Proibido Fumar”). O filme foi premiado em vários festivais nacionais e internacionais, incluindo França e Inglaterra.

O filme, apresentado maravilhosamente como “Estômago”, é a história da ascensão e queda de Raimundo Nonato, um cozinheiro com dotes muito especiais. Trata de dois temas universais: a comida e o poder. Mais especificamente a comida como meio de adquirir poder. E pode ser definido como “uma fábula nada infantil sobre poder, sexo e culinária”.

Raimundo Nonato é um nordestino que chega a uma grande cidade em busca de oportunidade e é, entre três cozinhas (de um bar, de um restaurante italiano e de uma prisão), que Nonato vive sua história.

Pra deixar tudo mais leve, esse filme é aquela boa pedida pra um domingo de preguiça, pra ver com os amigos ou com a família. “Chef” foi lançado no ano passado. Dirigido e estrelado por Jon Favreau, tinha tudo para ser mais um enlatado americano, porém surpreende com drama e comédia misturados em uma narrativa que emociona os mais chegados do mundo gastronômico.

O filme é bastante atual, tem um texto bem trabalhado, mas leve e divertido. Carl é Chef de um restaurante badalado em Los Angeles e tem muitos problemas com o dono do local, por querer imprimir seus gostos e personalidade aos pratos. Após a visita de um crítico gastronômico que publica duras críticas ao cardápio, Carl vai tirar satisfação e leva a pior. Demitido e humilhado, a briga vai parar nas redes sociais e é quando ele resolve dar um novo rumo à sua vida e, junto com um amigo e seu filho, parte para uma aventura a bordo de um trailer de comida.

“Chef” é um filme inspirador e desperta, em muitos momentos, a vontade de largar tudo e viver da paixão pelo que a gente realmente gosta e a valorizar o que vale a pena de verdade.

O último filme eu assisti há pouco mais de um mês e ainda estou tocada pela história. “The Hundred-Foot Journey” chegou ao Brasil com o título “A 100 Passos de um Sonho” e conta a história de Madame Mallory (Hellen Mirren), dona de um restaurante no sul da França, estrelado pelo Guia Michellin. Conhecida por ser autoritária e conduzir seu restaurante com mãos de ferro, a francesa vê sua história mudar com a chegada do jovem Hassam Kadam (Manish Dayal) e sua família. Vindos de Mumbai, eles tentam reconstruir a vida na pacata cidade, mas se deparam com o preconceito e as armadilhas de Mallory ao tentar abrirem um restaurante indiano em frente ao dela.

O filme é dirigido por Lasse Hallström, que faz uma adaptação do best seller “A Viagem de 100 Passos”, de Richard C. Morais. A história de Hassam, um jovem indiano que traz a gastronomia no sangue e que conquista todos os degraus sonhados por qualquer cozinheiro, é narrada com leveza. Tem drama, humor, romance e, claro, paisagens belíssimas regadas a muita comida. É um filme para se comer com os olhos e depois correr para a cozinha. Ainda não superei a omelete e o pombo com molho de frutas.

Espero que gostem das dicas. Então, preparem a pipoca, o brigadeiro e divirtam-se!

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Kamila Duarte de Jesus ou simplesmente Nêga, como é chamada pela família e pelos amigos, traz a paixão pelas panelas no DNA. Bisneta de Raimundo Cozinheiro - cozinheiro dos ingleses que vieram para Itabira junto com a Companhia Vale do Rio Doce -, aprendeu a cozinhar ainda criança quando usava um mini fogão a lenha para preparar guisados e batatas para suas bonecas. Formou-se em Publicidade e Propaganda pelo Centro Universitário Newton Paiva por ouvir de todos que era muito criativa. A paixão pela gastronomia passou de brincadeira de criança a assunto de adulto e já atuando profissionalmente na área se formou em Cozinha Profissional pelo Senac – MG em 2014. Acredita que um bom prato de sopa até cura, que doce é um carinho na alma e que cozinhar é uma maneira de demonstrar amor ao próximo.