COTIDIANO: Vamos falar de sentimentos entubados

Se tem uma coisa que arrasa com um ser humano é guardar os sentimentos! Isso mesmo! Assim, sem rodeios! Estou sendo direta, porque sou uma dessas pessoas que pega os sentimentos e vai guardando, vai acumulando, vai escondendo, vai deixando de lado, vai empilhando e, de repente, quando não cabe mais nada, explode para todos os lados numa confusão infinita de sabe-se lá o que!

Se você é dos meus, entendeu o parágrafo acima! Se não é, entendeu também porque certamente conhece alguém assim! A gente junta tanta coisa que quando explode nem sabe mais do que se trata e qual o motivo exato. Dá pra comparar esse surto sentimental com um armário muito lotado de bugigangas, velharias e supérfluos. Você vai jogando tudo lá dentro, até não ter mais espaço. No dia que resolve dar uma faxina e abre a porta, quase morre soterrados quando cai em cima de você.

Gente que, assim como eu, tem dificuldade de colocar os próprios sentimentos para fora, sofre. Eu fui assim mais da metade da minha vida. Tenho mudado, é importante dizer. Aprendi a ser honesta comigo mesma. Isso porque entendi que remoer as coisas que são ruins e não falar do que é bom tem o mesmo efeito: rugas precoces, falta de bom humor, recalque e péssima convivência em sociedade.

Aí vem a dica de amiga que ainda está em processo de aprendizado:

Tá com saudade, fala!

Tá com raiva, fala!

Amou o beijo, fala!

Odiou ser trocado por outro, fala!

Se ofendeu com o que foi dito, fala!

Tem umas verdades para dizer na cara de alguém, fala! (Seja educado, não quer dizer que porque é honesto precisa ser grosseiro!)

Tá inseguro, fala!

Gosta da pessoa, fala!

Tem elogios a fazer, fala!

Tem reclamações também, fala!

Quer se desculpar, fala! E se acha que merece um pedido de desculpas, fala também!

Tá desconfortável com alguma situação, fala!

Fale, mesmo que não dê em nada. Fale, mesmo que não seja ouvido. Só não entuba o sentimento. Porque é tão mais bonito ser honesto consigo mesmo e com os outros.

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras