COTIDIANO: Sobre ser correspondido

Esse “trem” de relações interpessoais é tão complicado que estou começando esse texto sem saber onde ele vai dar. Porque meus textos são como os meus relacionamentos: sempre os começo fazendo de tudo para darem certo e serem amados… mas, nunca sei se, ao final de tudo, vai ter gente ainda gostando.

Se relacionar com outra pessoa é meio assim também. E aqui vou me ater aos relacionamentos amorosos que são sempre fonte de muita curiosidade e especulação. Porque acredito que o ser humano foi feito para amar e ser amado. Não sou do time de pessoas que curtem drama e sofrimento. Não vejo prazer nisso. Tô fora de masoquismo!

Sou daquelas que passou a vida inteira me jogando de cabeça nas minhas relações, quebrando a cara, levantando, sacudindo a poeira e começando tudo de novo. Incansavelmente. Insistentemente. Apaixonadamente. Eu gosto de gostar. Eu amo dar amor. Desse jeitinho mesmo: trabalhada no brega e no clichê.

Todo mundo viveu relacionamentos ruins. Nem precisa pegar a sua pedra para atirar porque você não é a exceção a essa regra. Acontece que nem todo mundo passa por isso e se recupera depois. Muita gente transforma o fim em um trauma que se reflete nos relacionamentos futuros. O traumatizado se mostra incapaz de corresponder ao amor que recebe. Cria muros. Cria barreiras. Cria defesas. É como se a pessoa se transformasse em um castelo de pedras sólidas, construído à beira de um precipício, com um fosso lotado de crocodilos em volta e muros intransponíveis.

E sabe quem eu sou na vida? A pessoa que coloca uma corda no ombro e parte pra escalar esses muros! De longe sou a pessoa que mais se envolveu com gente traumatizada pelos amores malsucedidos. São incontáveis as vezes em que batalhei para entrar em corações alheios, desbravando selvas de frustrações e desapontamentos. Corajosamente cheguei lá. Para descobrir que ia ter que voltar de mãos vazias.

Acontece, né?! Nem todo mundo sabe como é delicioso o sentimento de amar e ser amado de volta. E, no fundo, é nisso que me escoro. Na capacidade de dar amor. E desse amor chegar a quem realmente precisa dele. Não ser correspondido dói. Dói demais. Não é fácil colocar seus sentimentos nas mãos de alguém e ver que eles serão guardados numa gaveta de armário velho… quando não são jogados fora. Mas quando isso acontece, eu vou lá, limpo a poeira do tempo de guardado ou desamasso do tempo no lixo, coloco de volta no lugar e parto para a próxima. A dor acaba. A desilusão passa. Frustração se cura e decepção se supera.

Mas amor sempre dura. Sempre cura. Sempre cria esperanças. Sempre volta para a gente.

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras