COTIDIANO: O quão normal você é?

Há uns dias aí pra trás, a filha de um famoso apresentador de TV falou umas bobagens em rede nacional. Não foi bonito! Aliás, não foi nada bonito! Foi uma manifestação vergonhosa de ignorância e falta de senso. Foi ofensivo e grosseiro.

Sobre o que ela falou, Tati?

Aparentemente, sobre a normalidade do ser humano. Daqueles que ela considera “normais”. E como “normais” leia-se “heterossexuais”. Olha que coisa mais… estranha. Porque “normal = heterossexual” não entra na minha cabeça. Não são sinônimas essas palavras. Não têm o mesmo significado. Nem é possível usar no mesmo contexto! Como diz uma amiga minha, a fala dessa moça foi uma sucessão de erros.

Para mim, essa rotulação aleatória das pessoas é uma prática nociva da sociedade desde que o mundo é mundo. Um absurdo que fomenta o preconceito e alimenta o ódio. Um incentivo às manifestações ofensivas, depreciativas, vexatórias e agressivas.

Seguindo o pensamento da jovem comunicadora citada anteriormente, o que seria “normal”? Quebrar lâmpadas nas nucas de passantes? Espancar até a morte um homem que veste saias? Expulsar um filho de casa, deixando desamparado, porque a sexualidade dele é diferente da sua? Gritar palavras impublicáveis, de baixo calão e alto teor ofensivo, porque duas mulheres passam por você de mãos dadas? Fazer suposições como “se fosse pra cama comigo, não seria lésbica” ou “se pegasse uma dessas gostosas não ia ser gay”?

“Normal” é destratar o próximo? É condenar o amor alheio? É questionar as relações amorosas dos outros? “Normal” é devassar a intimidade das pessoas?

“Normal”, no dicionário, significa, entre outras coisas, “conforme a norma, regular, exemplar”.

Essa menina Patrícia, em seu comentário infeliz, foi muitas coisas, menos normal!

P.S.: A foto que ilustra esta coluna foi tirada pelo Circuito Fora do Eixo no Festival Sem Preconceito, realizado em 2014 em Belo Horizonte, e disponibilizada para uso sob a licença Creative Commons.

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras