COTIDIANO: Feminista sim, extremista não

Longe de mim polemizar, mas tem mulher perdendo a mão quando fala de feminismo por aí! Okay! Não precisa se indignar aí mocinha que sentiu a carapuça entrar. Também sou feminista, mas daí a sair por aí querendo enforcar homens em praça pública, meu amor, é um abismo que não pretendo atravessar!

Pra você pesquisador de Google, filósofo de Facebook e engajado de Twitter: feminismo não é o contrário de machismo! Bombástico, né?! Te desiludi? Desculpa! Mas você tá pensando e, pior, compartilhando informação errada.

Por definição no dicionário “machismo” é:

  1. qualidade, ação ou modos de macho (‘ser humano’, ‘valentão’); macheza.
  2. exagerado senso de orgulho masculino; virilidade agressiva; macheza.
  3. comportamento que tende a negar à mulher a extensão de prerrogativas ou direitos do homem.

E feminismo pode ser definido como:

  1. doutrina que preconiza o aprimoramento e a ampliação do papel e dos direitos das mulheres na sociedade.
  2. movimento que milita neste sentido.
  3. teoria que sustenta a igualdade política, social e econômica de ambos os sexos.

Só com base nisso, até as pessoas mais desprovidas de raciocínio lógico já conseguem entender que o feminismo surgiu no intuito de dar às mulheres os direitos que lhes foram negados durante séculos e séculos, de uma cultura social baseada no preconceito. Uma batalha justa, digna, correta, necessária e igualitária. Lutamos todos pelos direitos de todos, penso eu.

Sou mulher e luto pelos direitos de todas as mulheres. Sou branca e luto contra o preconceito racial. Sou hétero e luto pela livre identidade de gênero. Sou humana e luto para que a minha raça entenda, de uma vez por todas, que igualdade de direitos é necessária para combater qualquer tipo de preconceito. Eu não preciso assumir apenas as minhas lutas pessoais, é importante pensar nas dificuldades do próximo, já que todos nós temos as nossas.

O meu problema é com quem distorce a realidade e usa uma causa comum para promover ainda mais separações, distinções de ideia e gerar medo, intolerância e desrespeito. Tipo essas mulheres que inverteram os papéis e acham que ser feminista é humilhar homens porque elas foram humilhadas. Querida, o que você está fazendo não é defesa da causa… é vergonha alheia. Isso não te faz uma líder social, te faz uma pessoa boçal.

E que fique claro: também sou dessas que acha que “meu corpo, minhas regras”, que assédio é tudo que te fere física e moralmente, que cantada na rua é humilhante, que com 16 anos não é uma mulher é menina, que saia e vestido curto não vem com plaquinha de “me estupre”. E mais: se eu ocupo o mesmo cargo que um cara na empresa, meu salário tem que ser igual, sim! Acho totalmente sem moral o uso abusivo da figura feminina em comerciais e campanhas publicitárias, transformando a mulher em objeto.

Isso não quer dizer que eu aprendi a trocar chuveiro e pneu furado. Nem que minha força dobrou ou que minha capacidade de ler mapas foi melhorada. Menos ainda que, do nada, eu vou conseguir desentupir o ralo da cozinha ou abrir garrafa de long neck ou que não preciso dos homens para ter sexo.

Gente! Ser feminista não é deixar de ser mulher! E nem passar a ser um homem! É só defender a igualdade de direitos sem nos tirar essa coisa tão simples e tão bonita inerente ao ser humano: a capacidade de ser igual, apesar das diferenças!

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras