COTIDIANO: Faço minhas essas palavras

O texto de hoje não é meu! É de um poeta chamado Willian Ernest Henley. Inglês, Will era filho de um vendedor de livros que passava dificuldades para criar os seis filhos. Pense um cara que sofreu? O pai juntou, às duras penas, grana para mandá-lo para uma boa escola, mas aos 12 anos Wil foi diagnosticado com artrite e não concluiu os estudos. Aos 16, amputou uma perna. Com 18 anos perdeu o pai e virou o homem da casa. Sabe o que o salvou? O jornalismo!

Entre idas e vindas ao hospital, usou seu dom com as palavras para escrever algumas de suas obras. E nesse meio tempo partiu de jornalista autônomo para editor de grandes veículos impressos de sua época. Foi aí que calhou de virar crítico de literatura. Uma de suas críticas mais famosas foi sobre “O retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde. E ele falou bem mal do livro. Os dois viraram inimigos mortais!

Will morreu em 1903, de tuberculose. Sua obra mais famosa data de 1892. É um poema chamado “Invictus”. Esse nome te lembra alguma coisa? Se não, te explico. Essa poesia ficou mundialmente conhecida depois que Nelson Mandela contou para todo mundo que foi o que o inspirou e sobreviver aos 27 anos em que esteve preso. As palavras de Will deram a Mandela força pra continuar firme em sua luta contra o apartheid.

Will criou um poema que traduzia a sua vontade de vencer as adversidades que a vida sempre lhe impôs. Mandela viu nele a luz no fim do túnel para superar o peso de sua injusta punição. Eu espero que ao lê-lo, você ache nela o mesmo sentido que o tornaram tão famoso. Que essas palavras sirvam para te incentivar na sua batalha diária contra as dificuldades, as injustiças, os preconceitos, os desrespeitos, a tristeza, os desafios. Que por meio delas você encontre sua força interior para se nutrir de esperança e fé num futuro próspero e feliz!

INVICTUS

Da noite escura que me cobre,
Como uma cova de lado a lado,
Agradeço a todos os deuses
A minha alma invencível.

Nas garras ardis das circunstâncias,
Não titubeei e sequer chorei.
Sob os golpes do infortúnio
Minha cabeça sangra, ainda erguida.

Além deste vale de ira e lágrimas,
Assoma-se o horror das sombras,
E apesar dos anos ameaçadores,
Encontram-me sempre destemido.

Não importa quão estreita a passagem,
Quantas punições ainda sofrerei,
Sou o senhor do meu destino,
E o condutor da minha alma

CLIQUE AQUI E LEIA OUTROS ARTIGOS DA COLUNA “COTIDIANO”

Comentários

Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras