COTIDIANO: “Então, é Natal…”

Eita, trem bão! Chegou o Natal! Aquela época do ano que o povo se empanturra de tanta comida que, no dia 26 de dezembro, ninguém tem vontade de viver novamente. E tome peru, arroz com passas, farofa de nozes, lombo com abacaxi, chester, tender todo enfeitado com cravos, bacalhau lotado de azeite, castanha portuguesa cozida… tudo isso, empurrado goela abaixo por litros e mais litros de cerveja, vinho doce e refrigerante congelando. Depois, para arrematar tem pavê com biscoito champanhe, mousse de maracujá, torta de chocolate, pastelzinho de goiabada, frutas cristalizadas e panetones de todos os sabores. E no almoço do dia 25 de dezembro, tudo o que sobrou na noite de Natal, porque nenhum ser vivo dá conta de lidar com tanta quantidade e variedade de comida!

Aí, enquanto você está sentado num canto da mesa, com medo de levantar e sair rolando de tanto que já comeu, um parente de primeiro escalão, daqueles patriarcas e matriarcas da família, puxa a troca de presentes. E sempre tem aquele primo que ganha alguma coisa dos avós, dos pais, dos padrinhos e sai carregado de presente. O que causa inveja num outro primo que só ganhou um par de meias e cada vez que alguém entrega um presente canta “e o cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais…”

Tudo isso é parte da tradição de reunir a família entorno dessa tradição tão arraigada na nossa cultura. Mas o que acho mesmo é que a gente deveria ver as comemorações de Natal com outros olhos. Não acho que é uma época feita para se trocar presentes e comer até explodir. Deixando de lado as crenças religiosas sobre o Natal, sempre vi essa época como uma chance de avaliar o que aconteceu na sua vida até ali.

Conversando com algumas amigas essa semana, concluímos que o ano de 2016 foi de mudanças muito profundas para todo mundo. E em todos os âmbitos. O mundo vem passando por momentos de caos e desespero. O Brasil assistiu a fatos históricos que arrastaram milhões de pessoas para fora de suas zonas de conforto. Cada um de nós teve seus períodos de transformação e revelação que mudaram os rumos que tinham definidos para suas vidas.

Nesse Natal, o que eu quero é sentar ao lado de pessoas amadas e poder comemorar que, apesar de todos os obstáculos, ainda permanecemos juntos e unidos. Poder olhar para o rosto das pessoas que estarão como nesses dias e agradecer àqueles que sempre estiveram ali, receber com carinho os que estão chegando e esperar que os dias felizes do ano que vai se encerrando se repitam mais vezes.

Nesse Natal eu quero sorrir não porque teremos uma mesa farta, mas porque continuaremos tendo corações cheios de amor e boas energias para compartilhar. Não quero me alegrar em ganhar presentes, mas sim abraços sinceros e fraternos.

E é isso que desejo para todos vocês nesse Natal! Que vocês esqueçam o que ruim aconteceu, dividam o que de bom ficou e alimentem a esperança por dias ainda melhores!

Sejam felizes sempre! Feliz Natal! Ho Ho Ho!

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras