COTIDIANO: E será que sobreviveremos a essa guerra de egos inflados?

Desde que o todo mundo entrou em uma rota de colisão coletiva, causando perdas severas pós-batidas, criando embates épicos de ideias e ideais, falando pelos cotovelos, escrevendo milhões de palavras por segundo, virando reis dos textões e, quem diria, lendo a seção de política dos jornais, está difícil manter-se inatingível.

Se tem uma coisa que venho aprendendo, às duras penas, ao longo dos anos é que quando muita gente acha que tem muito o que dizer, poucas pessoas são capazes de realmente expor conteúdo realmente interessante.

Trocando em miúdos, o que mais tenho visto por aí são “pensadores” que vomitam suas frases feitas, lidas de algum formador de opinião que está na moda, nos obrigando a ouvir/ler defesas apaixonadas de coisa alguma, desrespeitando o próximo, ignorando as etiquetas de boa educação, criando praças de guerra e constrangendo terceiros.

Estou tão fatigada de ver assuntos importantes serem abordados de forma tão arbitrária, que me desperta uma imensa sensação de preguiça. É como se um vendedor ambulante tivesse passado por aí distribuindo óculos que fazem todo mundo ver de sua própria ótica. Única e exclusivamente. Apenas e tão somente. Unilateral. E de bônus, um tampão de ouvido para que o indivíduo ouça apenas a si mesmo. Surdez total e, tomara Deus, temporária.

Nesse cenário aterrador, ficam assim definidos os campos de batalha (mesas de bar, rodas de amigos, festas de família, fumódromo do trabalho, perfis em redes sociais, grupos em aplicativos de bate-papo, onde interessas possa) e as armas mais efetivas (palavras ferinas, grosserias pontuais, tons de voz agudos, uso contínuo de CAIXA ALTA, frases de impacto, compartilhamento de vídeo de gente hipócrita falando de hipocrisia e outras tantas impossíveis de listar).

As consequências não poderiam ser mais terríveis: bala perdida para todos os lados. Entre mortos e feridos, atingidos em cheio por essas pesadas balas de canhão, não parece se salvar ninguém.

Seguimos, em busca de sobrevida social. O único esconderijo ainda possível talvez seja permanecer no profundo vale das sombras dos poucos atualizados… só para não se desgastar.

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras