COTIDIANO: É possível dar suas próprias opiniões sem ser linchada?

É uma dúvida extremamente plausível, acredito eu! Na semana em que comemoramos/lembramos/discutimos (use o termo que preferir) o Dia Internacional das Mulheres, preciso ser honesta: tenho medo de apanhar!

Fiquei pensando em várias formas de abordar o dia das mulheres sem ofender os brios de ninguém… missão impossível! Em época de bandeiras erguidas em prol de alguma causa, qualquer coisa que se diga pode soar ofensivo! Na boa, coisa chata essa “censura velada”. Porque, pra mim, muitas vezes, é assim que as manifestações de opinião parecem ser.

A minha opinião deve ser levada em consideração enquanto ela converge com as demais. No momento em que ela começa a divergir, passa a ser irrelevante, equivocada, errônea e sem embasamento. Como que isso funciona? O que eu penso só é válido quando concorda com o que você pensa? Tem alguma coisa errada no processo, né?!

Há poucos dias vi algumas mocinhas se “estranhando” virtualmente porque uma delas não curte campanhas do tipo “Meu Amigo Secreto”. A menina se manifestou muito educadamente dizendo que preferiu não participar porque achava que era exposição demais de sua intimidade. OK! Vida que segue… NÃO! Ela foi massacrada por incontáveis comentários agressivos, grosseiros, abusivos, preconceituosos e intolerantes. OI? Depois tem mulher que acha absurdo ser chamada de “feminazi”.

Vamos refletir um minutinho aqui, mulheres. Uma pessoa não quis seguir “tendência virtual” e foi crucificada em timeline pública. Sofreu das feministas mais fanáticas abusos comparáveis aos que elas próprias vinham denunciando por meio da famosa hashtag “#MeuAmigoSecreto”. Será que passou pela cabeça de alguma delas que quando isso acontece a luta perde o sentido?

Opa! Tô lutando aqui por uma série de direitos baseados no respeito às diferenças e não tenho a capacidade de respeitar opiniões opostas às minhas? Que credibilidade a minha contribuição na luta terá assim? Nenhuma, né, queridinha! Porque ser menosprezada, ridicularizada e moralmente assediada por um homem é um absurdo… mas praticar isso contra uma mulher que não concorda com você, é mais assustador ainda!

Defender uma causa não nos dá o direito de passar por cima de quem não concorda conosco. Falta maturidade, falta bom senso, falta flexibilidade para ouvir o outro.

Acredito na luta feminista! Engrosso o coro do empoderamento das mulheres! É lindo ver como estamos desenvolvendo linhas de raciocínio e atuação tão fortes e engajadas. Morro de orgulho das amigas que estão encabeçando as discussões. Sei que vamos formar novas gerações de homens e mulheres cada vez mais respeitadores de suas diferenças e, sobretudo, de suas igualdades. Mas não vou endossar a falta de respeito que o processo vem gerando.

Feliz Dia das Mulheres para vocês que defendem o seu sem ofender o meu!

*A foto que ilustra a coluna COTIDIANO desta semana pertence à fotógrafa Kate Parker e integra o ensaio “Strong is the new pretty”.

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras