COTIDIANO: É com tristeza que escrevo

Serei breve, porque não há muito mais a falar sobre o assunto a seguir.

Ao longo dos últimos meses, assisti com curiosidade e muita discrição as pessoas se digladiando politicamente. As redes sociais se apinharam de opiniões, memes, links, compartilhamentos sobre a atual situação política de nosso país. Nas mesas de bar esse era um assunto constante. As festas de família nunca mais foram as mesmas.

Surgiram campanhas pró e contra tudo e todos que se possa imaginar. Vi gente querida se envolver diretamente nas manifestações tanto para um lado, quanto para o outro. Assisti, assustada, a amizades se desfazerem e pessoas brigarem seriamente por conta da política brasileira.

Permaneci quieta. Não é da minha natureza. Mas eu não queria ser a próxima vítima. Não tive força para me desgastar com pessoas que têm o dom de transformar tudo em uma briga sem fim.

Hoje, não tive como escapar. Preciso me manifestar. E não alimente falsas esperanças. Esse texto não é sobre a minha opinião política. Essa ainda continua privada. É sobre você, incapaz de respeitar a opinião do outro.

Sobre você que, tanto faz de qual lado esteja, não desiste de convencer os que pensam diferente de você que eles estão errados.

É sobre você que pratica, incessantemente, a rotulação das pessoas e fez disso uma rotina. Se alguém é contra o impeachment é óbvio que é petista, socialista, cubana, militante. Se é a favor só posso ser golpista, telespectadora da Globo, tucana, coxinha.

Deveríamos ser mais tolerantes uns com os outros e não tão duros. Realidades diferentes, pontos de vista diferentes. Simples. A nossa situação já é suficientemente vexatória e complicada para que ainda percamos tempo e energia brigando entre nós.

Permitam-se uma pausa nessa guerra e olhem juntos para o nosso nada animador futuro. O que ninguém entendeu até agora é que precisamos caminhar juntos se quisermos ir a algum lugar. Teremos que dar “pézinho” para o coleguinha para sairmos desse fundo de poço. Vamos precisar de parceiros para enfrentar seja lá o que nossa política nos trouxer.

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras