COTIDIANO: Disse-me-disse

“Fulano falou para sicrano que falou para beltrano que me contou, em segredo, uma coisa chocante! Não era para eu comentar, mas vou te contar confiando que você não vai falar com ninguém…”. A pessoa vira as costas e outras 15, num grupo de WhatsApp, já estão sabendo do que aconteceu com o Fulano (esse pobre coitado que está na boca do povão!).

Assim acontecem as fofocas vida afora. O ser humano tem uma dificuldade enorme de se manter envolvido apenas na sua própria vida. Me parece ser inerente à nossa raça. Afinal de contas, somos seres sociáveis. E como tais, desenvolvemos relacionamentos que entrelaçam nossas vidas com as vidas das outras pessoas… e vamos vivendo e trançando teias sociais que acabam por se embaralhar num grande emaranhado de histórias.

Acontece que muitas dessas histórias não são nossas, não nos dizem respeito e não nos dão o direito de nos apossar delas. E nem de repassá-las para frente. Mas, ainda assim, a gente acaba por se apropriar delas e as conta, sem pudor ou culpa, para quem estiver disposto a ouvir. Tá aí, o caminho da fofoca.

Não importa o nome que você dá para o ato de passar para frente uma informação que não é da sua conta: murmúrio, boato, mexerico, rumor, versão, intriga, rumor, disse-me-disse. No fundo, tudo não passa de fofoca. Fútil e desnecessária.

Quando nos preocupamos em enredar pessoas em casos que não nos envolvem, estamos fazendo mal a essas pessoas. E pior, estamos deixando a nossa vida de lado para nos preocupar com a vida alheia. Quando você perde seu tempo espalhando a história do fulano, sua vida está lá paradinha, estagnada. Você está fugindo da sua realidade, se envolvendo na realidade do outro.

Fofocas causam inimizades, demissões, problemas de convivência, quebra de confiança, desvalorização das pessoas, mal estar generalizado, estragam casamentos, terminam amizades, transformam as pessoas em gente ressentida e amargurada.

Antes de abrir sua boca para ventilar coisas sobre a vida alheia, pense como seria se fosse a sua vida caindo nas rodas de conversa. Se colocar no lugar do outro é sempre um movimento saudável para melhorar as relações humanas.

Não vamos colocar o nosso corpinho fora: quem nunca fez uma fofoca, que atire a primeira verdade na cara! Mas vamos nos esforçar para que isso não se transforme numa prática de vida. Prejudicar o próximo é, automaticamente, prejudicar a si mesmo!

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras