COTIDIANO: Apropriação cultural

Aviso importante: não tô afim de causar polêmicas, nem de ficar ouvindo mimimi, nem de manifestações extremistas. E não vou tolerar desrespeito por aqui!

Esse tema me veio à cabeça porque o ser humano não se cansa de ser mesquinho e grosseiro. Porque as pessoas não conseguem ver como é cruel e doentia a forma como se tratam umas às outras. E porque, realmente, é inacreditável que para defender uma causa, alguém precise atropelar quem aparecer pela frente se mostrando contrário a ela.

Para geral entender, nas palavras de Bárbara Paes do site ovelhamag.com, “a apropriação cultural acontece quando elementos de uma cultura são adotados por indivíduos que não pertencem a esta cultura. Isso inclui o uso de acessórios e roupas, a exploração de símbolos religiosos, o sequestro de tradições e de manifestações artísticas.”

Ainda segundo Bárbara, “um grande problema de sequestrar elementos de culturas não dominantes e adotá-los de maneira descontextualizada, é que as pessoas que fazem a apropriação se beneficiam dos aspectos que julgam “interessantes” de uma cultura, ignorando os significados reais desses elementos, enquanto os membros dessa cultura tem que lidar com opressão diariamente.”

Concordo plenamente! Tá certíssima! Penso exatamente igual!

Mas qual é o parâmetro usado para distinguir quem usa um elemento de uma cultura, conhecendo sua história, de quem nem sabe por onde está passando? Como isso se dá no dia a dia? Será que o radicalismo de ideias não tem nos tornado cegos à sensibilidade alheia?

Se eu vejo uma mulher branca usando turbante (para me manter no foco atual da discussão), o que me faz crer que ela está usando simplesmente porque acha bonito e não porque ela também compartilha da causa do empoderamento das mulheres negras? De uma forma geral, ela seria naturalmente julgada como uma pessoa que está cometendo uma apropriação cultural. Mas eu não tenho como saber sem antes perguntar! Se o faço simplesmente pelo fato de vê-la com um turbante, não estou fazendo um julgamento de caráter? O quanto vale minha luta quando faço algo desse tipo?

Acredito que discussões assim deveriam ser feitas de forma aprofundada e cuidadosa. O turbante, por exemplo, não é exclusivamente um item da cultura negra. É também parte da cultura árabe, da egípcia… e em cada uma delas tem um significado diferente. Mostrar respeito e conhecimento sobre o tema é meio caminho andado para que as opiniões deixem de ser um motivo de brigas e passem a ser um motivo de uniões.

O que eu não concordo é ver casos como o da mocinha com câncer que foi duramente criticada por usar um turbante. Ainda que ela o tenha usado única e exclusivamente como um item de moda, para se sentir mais bonita. Acho que se quem luta por um causa tão importante como o empoderamento cultural não tem a sensibilidade de abordar quem não conhece seus ideais, a luta perde força.

Está mais que provado que na base da ignorância, da crueldade e da imposição nada funciona. Finalizo meu texto citando a produtora cultural e ativista pernambucana Dandara Pagu, que escreveu essas palavras para o site geledes.org.br: “Acho importante ter em mente que o fato de ter sido discriminada não deve me levar a discriminar ninguém. Ou isso vira uma bola de neve sem fim: o oprimido deixando de ser oprimido e agindo, ainda que motivado por séculos e séculos de injustiça, de modo semelhante ao opressor.”

Na minha ínfima e muito pouco importante opinião, o que tem nos faltado é respeito! Lute sua luta! Defenda suas ideias! Mude a realidade cultural! Mostre o quanto há de errado no mundo! Mas não passe por cima das outras pessoas… nem perca a cabeça… para não perder a razão e nem a força de sua luta! Eu não posso exigir respeito, se não respeito o outro de volta!

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras