COTIDIANO: Amor, esse bicho estranho

Desde que comecei a escrever crônicas, recebo de amigos, conhecidos e desconhecidos uma diversidade imensa de temas a serem abordados. Humanos e sua enorme quantidade de assuntos a serem discutidos são o meu melhor material de trabalho e sou imensamente grata a essas pessoas por isso.

O tema de hoje não foi sugerido, diretamente, mas me inspirei na inspiração de um bom amigo e fiel leitor. Um romântico que ainda não sabe o tamanho de seu romantismo… um rapaz apaixonado e com dificuldades de lidar com esse bicho estranho que é o amor…

Explico: ele se envolveu com uma mocinha muito adorável, que precisou fazer uma viagem de longa duração. Se separaram com a promessa de ir vivendo a vida sem pensar um no outro e, no retorno, “vemos no que vai dar”.

Ela voltou… e ainda não deu em nada. Nada! Nadinha mesmo! Ninguém tomou coragem de procurar ninguém!

Acontece que, durante o distanciamento, esse jovem rapaz fez de tudo para se afastar da ideia de estar com a adorável mocinha. Envolveu-se com outras, viveu rápidos romances tórridos, não quis saber o que acontecia com ela. Deu certo, Tati? Claro que não! Você já viu gente apaixonada desapaixonar de uma hora pra outra? Eu não! Esquecimento temporário, vá lá… mas na hora que a cabeça encosta no travesseiro, sozinho no quarto, sabemos pra onde os pensamentos vão, né?!

Aí, o jovem rapaz se viu num conflito tão típico da vivência feminina que, pra mim, não é nenhuma novidade, mas para ele é um bicho de sete cabeças: coração e cérebro em sua luta constante pelo domínio da raça humana. Usando as palavras do autor: “Na guerra entre duas potências que se balanceiam, qual o correto a fazer? Quem vamos seguir se a razão do coração nos parece simples, mas a emoção do cérebro nos lembra que somos adultos?”

Olha que filosofia existencial doída e ao mesmo tempo belíssima! Esse cara, o amor, é uma pedreira a ser escalada diariamente, com perdão dessa comparação pobre.

Resultado: temos aqui um jovem casal que escolheu “deixar a vida levar” como uma fuga de um enfrentamento inevitável. As memórias estão aí pra lembra-lo o tempo todo dos bons momentos vividos e, sobretudo, dos momentos futuros há muito imaginados e sonhados.

O mocinho me lembrou daquela frase boa de Dona Gadú: “deixe estar que o que for pra ser vigora…”. Também acho! Vigora mesmo… mas não vigora sozinho, amigo! Nada vigora sem luta. Nada vigora do nada! Pra vigorar tem que ter “corrida atrás”, tem que ter uma vontade de vigorar. Ao acaso nada vem, certo?

Meu conselho: toma coragem, rapaz! Não deixa a chance de ser feliz com a moçoila passar não. Porque aí, o arrependimento é mais dolorido do que um “não”. Ao menos diga a ela como é bonito esse seu sentimento e como ela é merecedora de tê-lo. Porque pra te fazer cair assim, de quatro, ela deve ser uma pessoa incrível!

E se nada disso der certo, usa Dona Gadú de novo: “Quero um pouco mais… Não tudo, pra gente não perder a graça no escuro. No fundo, pode ser até pouquinho… Sendo só pra mim…”.

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Tatiana Linhares. Muitas. Jornalista. Mineira. Tatuada. Outono e primavera. Pão de queijo. Livros. Música. Revistas. Cinema. Teatro. Futebol. Cruzeiro. Viagens de carro. Areia e mar. Esmalte colorido. Cerveja gelada. Família grande. Incontáveis amores. Paixonites agudas. Saudade. Simplicidade. Palavras