CINEMA: “O Captain! My Captain!”

“Whe you read, don’t just consider what the autor thinks, consider what you think” (Quando você lê, não basta considerar o que o autor pensa, mas considere o que você pensa).

Robin Willians era dono de um talento de rara grandeza. A sua carreira conta com filmes inspiradores e muito disso se deve às suas grandes atuações. Não importa se é uma comédia ou um drama, ele sabia medir o seu trabalho e, com isso, encantar. Tenho certeza que se puxar pela memória encontrará ao menos uma obra com ele que te marcou – a exemplo de “Bom Dia, Vietnã”, “Gênio Indomável”, “Patch Adams – O Amor é Contagioso”, “A Gaiola das Loucas”, “Jumanji” e “Uma Babá Quase Perfeita”… e tantas outras películas.

De toda a filmografia de Robin Willians, um filme em particular me chamou a atenção – e logo entrou na lista dos meus preferidos – e é sobre ele que essa crônica trata. “Sociedade dos Poetas Mortos” é daquelas obras que ao final, quando os créditos começam a pipocar na tela, temos a certeza de que alguma coisa mudou. Acredito que ninguém consiga sair incólume depois de pouco mais de duas horas vivendo a rotina do internato Welton Academy.

É nessa escola que se desenvolve toda a trama do filme. O ano é 1959 e John Keating (em uma interpretação magistral de Willians) retorna ao internato – mas desta vez como professor de Inglês. O internato conta com regras rígidas e a sua rotina de estudos é baseada em pensamentos conservadores que focam a tradição, honra, disciplina e excelência. Porém, Keating apresenta aos seus alunos um método de ensino nada ortodoxo. O que acaba mexendo com a rotina do local.

Keating busca inspirar e estimular os seus alunos a terem as próprias reflexões sobre a vida. Em sala de aula, explica a essência do Carpe Diem – em que é aconselhado aproveitar o máximo da vida –, incentiva-os a usar a criatividade, a fugir do pensamento padronizado, a lutar por seus desejos e sonhos e, principalmente, compreender que é possível extrair de nossas vidas aquilo que acreditamos ser o melhor.

Esse modelo de pensamento, que diverge do conservadorismo do internato, logo conquista um grupo de alunos. É então que Neil (Robert Sean Leonard), Todd (Ethan Hawke), Chalie (Gale Hanson), Knox (Josh Charles) e outros pesquisam a vida do ex-aluno da Welton Academy, Keating. O professor fazia parte de um grupo de estudos chamado “Sociedade dos Poetas Mortos”. Os estudantes, então, decidem reabrir esse grupo.

As suas trajetórias mudam de maneira determinante. Os jovens passam a ser mais questionadores – tanto em relação aos seus objetivos quanto ao modelo de ensino que estão inseridos – e desenvolvem uma verdadeira sede por viver. É no desenvolvimento dessa trama que reside toda a beleza do filme: as transformações que a busca pela liberdade e o desenvolvimento do pensamento pode causar em nossas vidas.

Essa história, presente na vida de qualquer pessoa, é contada a partir de um grupo de estudantes que se permite ir além do modelo de pensamento padronizado que lhes é imposto. E eles encontram em um professor o mentor necessário para instigar a criatividade e estimular o enfrentamento dos desafios que aparecem. Assim como as consequências de suas próprias escolhas.

FICHA TÉCNICA

Nome original: Dead Poets Society
País de origem: Estados Unidos
Ano de lançamento: 1989
Gênero: Drama
Duração: 128 minutos
Diretor: Peter Weir
Roteiristas: Tom Schulman
Elenco: Robin Willians, Ethan Hawke, Robert Sean Leonard, Josh Charles, Gale Hansen, Kurtwood Smith, Norman Lloyd, Lara Flynn Boyle, Melora Walters

TRAILER

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A profissão é jornalista. A diversão é um livro. Mas também pode ser um filme ou uma série. O esporte é futebol - desde que acompanhado do sofá da sala. O universo digital exerce grande interesse. Não dispensa uma xícara de café ou um copinho de cerveja.