CINEMA: Faltou diversidade nos créditos

Viola Davis conquistou em 2015 o Emmy Awards de melhor atriz dramática. Foi a primeira vez nos 67 anos de história da premiação que uma mulher negra conseguiu conquistar a estatueta nessa categoria. Um fato histórico, sem dúvidas, mas que demonstra o abismo de oportunidades – e reconhecimento – entre atores negros e brancos.

Ao receber o prêmio, Viola Davis sentenciou: “e deixe-me dizer uma coisa, a única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é oportunidade. Você não pode ganhar um Emmy por papéis que simplesmente não existem”. E ainda completou: “obrigada a estas mulheres que ajudaram a redefinir o que significa ser bonito, ser sexy, ser uma mulher protagonista, ser negra. Então obrigada a todos os escritores e o pessoal maravilhoso da indústria da televisão que permitiu que isso acontecesse”.

Em um primeiro momento a premiação do Emmy poderia apresentar uma ruptura em um mercado em que atores brancos ficam não só com as principais oportunidades e papeis, mas também com o protagonismo nas premiações. O que fica bem claro diante do discurso proferido por Viola Davis. Mas as mudanças nesse cenário parecem ainda estar muito longe de acontecer. Como visto na lista dos indicados ao Oscar nos dois últimos anos.

Em 2016, assim como aconteceu em 2015, a principal premiação do cinema mundial também deixou de fora das suas categorias centrais atores e diretores negros. E não foi por falta deles atuarem, afinal, nomes como Idris Elba, de “Beasts of No Nation”, Will Smith, de “Concussion”, Michael B. Jordan, de “Creed”, e os vários protagonistas de “Straight Outta Compton – A História do N.W.A” se destacaram por suas atuações.

Não é a toa que Hollywood enfrenta diversas críticas pela falta de diversidade no Oscar. Os protestos dominam as redes sociais – sobretudo com duas hashtags: #OscarsSoWhite e #OscarStillSoWhite –, ganham destaque nos diversos meios de comunicação e reverberam nos discursos de atores que observam a falta de reconhecimento aos negros no meio cinematográfico.

As discussões sobre a falta de diversidade nessas premiações apontam para um debate maior. São oportunidades negadas atores por sua cor, sexo ou orientação sexual, pessoas chamadas para interpretar papéis que reforçam estereótipos e um preconceito do próprio público, que estranha e rechaça o protagonismo de artistas em certos momentos. A exemplo do filme “Star Wars – O Despertar da Força”, o sétimo da mais bem sucedida franquia do cinema, que teve nos papeis principais um negro e uma mulher – o que se tornou alvo de críticas por parte dos fãs.

O cinema, neste momento, aparece mais uma vez como retrato da sociedade, escancarando o preconceito ainda enraizado nas mais diversas camadas. E não só com o negro, mas com todas as minorias. Porém, se esperava que a sétima arte estivesse na vanguarda dessas discussões e quebrando barreiras. E não se tornando mais um entrave a uma sociedade mais diversa.

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