CINEMA: 25 anos de um sedutor Hannibal Lecter nada inocente

Quando a luz do cinema se apagou e as primeiras imagens foram projetadas na tela naquele 12 de fevereiro de 1991, poucas pessoas sabiam o que lhes aguardava. Com uma construção narrativa impecável, “O Silêncio dos Inocentes” fez com que muitos sentissem arrepios na espinha ao conhecer aquele que se tornaria um dos mais icônicos psicopatas da sétima arte: Hannibal Lecter.

Este ano, o filme completou 25 anos do seu lançamento e a data não poderia passar despercebida. Adaptado a partir do romance homônimo de Thomas Harris, “O Silêncio dos Inocentes” é, até hoje, o único filme de suspense ou terror a ganhar um Oscar de Melhor Filme – outros quatro chegaram a ser indicados, mas ficaram no quase: “O Exorcista” (1973), “Tubarão” (1975), “O Sexto Sentido” (1999) e “Cisne Negro” (2010).

E não parou por aí. A produção ganhou outras quatro estatuetas: Melhor Direção para Jonathan Demme, Melhor Roteiro para Ted Tally, Melhor Ator para Anthony Hopkins e Melhor Atriz para Jodie Foster. Nada menos que as cinco principais premiações do Oscar. Foi o terceiro filme a alcançar esse feito – “Aconteceu Naquela Noite” (1934) e “Um Estranho no Ninho” (1975) completam a lista.

Tudo isso é resultado de uma história perturbadora, marcante e conduzida magistralmente. No filme, um psicopata conhecido como “Buffalo Bill” (Ted Levine) aterroriza uma cidade ao atacar mulheres com um perfil semelhante. A policial Clarice Sterling (Jodie Foster) é designada para investigar o caso. Ela precisa enfrentar diversos desafios: o machismo da própria polícia, o risco de enfrentar um serial killer e uma série de encontros com o psicopata Hannibal Lecter (Anthony Hopkins) que colabora com as investigações. Porém, essa convivência irá colocar o psicológico de Clarice à prova.

São vários os fatores que levaram essa trama ao seu grande sucesso. O roteiro de Ted Tally consegue captar a essência do livro de Thomas Harris e dali retirar o que tem de melhor: personagens muito bem construídos. De um lado temos uma Clarice com o seu passado amargo e diante de um grande desafio na carreira; do outro um assustador, porém sedutor, Hannibal Lecter. E ambos interpretados pelos inspirados Jodie Foster e Anthony Hopkins, que nos entregam atuações arrebatadoras.

Somado ao roteiro e às atuações, temos o grande trabalho do diretor Jonathan Demme. Ele tem méritos em conseguir extrair de seus atores principais uma performance incrível. Mas vai além disso, “O Silêncio dos Inocentes” consegue ser perturbador sem se valer de imagens chocantes ou do uso de efeitos sonoros para assustar o público. O seu principal artifício está na ambientação sombria que cria o clima de tensão necessário para a condução da história – um mérito da equipe técnica e da bela fotografia do longa.

Talvez o grande trunfo de “O Silêncio dos Inocentes” seja perturbar o espectador por meio de uma construção narrativa bastante elaborada. A história, os diálogos e as grandes atuações são o suficiente para assustar. Não são necessários monstros saltando de armários – ou outros sustos artificiais – para arrepiar até o último fio de cabelo. O horror, aqui, está na própria natureza humana.

FICHA TÉCNICA
Nome original: The Silence of the Lambs
País de origem: Estados Unidos
Ano de lançamento: 1991
Gênero: Suspense
Duração:  118 minutos
Diretor: Jonathan Demme
Roteiristas:  Ted Tally
Elenco: Anthony Hopkins, Jodie Foster, Scott Glenn, Ted Levine

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