A Nova Ortografia

Prezados leitores, semana passada, ao escrever o primeiro texto para esta coluna, combinei com vocês que, a cada quinze dias estaria por aqui “batendo um papo” sobre o nosso idioma pátrio. Entretanto, devido aos muitos acessos que tivemos, e em função da importância do tema para o nosso dia a dia, resolvemos rever a periodicidade da coluna. Assim, toda semana estaremos divulgando um pouco desse idioma complexo, nada fácil, porém instigante que é o Português.

Após muito pesquisar, decidi começar nossa conversa falando sobre a nova ortografia. Assunto polêmico, uma vez que os brasileiros são reticentes em aceitar novas regras. Principalmente em se tratando da Língua Portuguesa, que, para a grande maioria da população, é antipática. Então, caros leitores, a nova ortografia está valendo e, quando sentarem na frente de um computador ou de uma folha de papel, lembrem-se de pesquisar para saber se aquela palavra tem ou não hífen, acento e assim por diante.

As novas regras ortográficas da língua portuguesa entraram em vigor dia 01 de janeiro de 2009, com o intuito de unificar o idioma nos oito países em que o utilizam como língua principal. O período de adaptação foi, em princípio, de quatro anos. Portanto, foram consideradas corretas as duas grafias até 31 de dezembro de 2012.

A primeira regra da nova ortografia diz que o alfabeto passa a ter oficialmente 26 letras. O ‘k’, ‘w’ e ‘y’ não eram consideradas letras anteriormente. Agora essas letras serão usadas em siglas, símbolos, nomes próprios, palavras estrangeiras e seus derivados. Exemplos: km, watt, Byron, byroniano.

Com a nova ortografia não existe mais o trema em língua portuguesa. Apenas em casos de nomes próprios e seus derivados. Por exemplo: Müller, mülleriano. Dessa forma, palavras como aguentar, consequência, cinquenta, quinquênio, frequência, frequente, eloquência, eloquente, arguição, delinquir, pinguim, tranquilo, linguiça, dentre tantas outras, perderam os dois pontinhos situados sobre a letra ‘u’.

Em relação à acentuação, ocorreram mudanças que, se não forem observadas, levarão os autores a cometerem pequenos deslizes gramaticais. Por exemplo, os ditongos abertos (ei, oi) não são mais acentuados em palavras paroxítonas. Assim, palavras como assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, panaceia, Coreia, hebreia, boia, paranoia, jiboia, heroico, apoio, paranoico, e tantas outras mais, perderam seus acentos agudos.

Vale a pena fazer duas observações que devem merecer a atenção de quem quer construir um texto limpo e correto: nos ditongos abertos de palavras oxítonas e monossílabas o acento continua (ex.: herói, constrói, dói, anéis, papéis). Também continuam os acentos no ditongo aberto ‘eu’. Por exemplo: chapéu, véu, céu, ilhéu.

Para encerrar a coluna de hoje vou falar de duas aplicações do hiato. O hiato ‘oo’ não é mais acentuado. Então, com a nova regra, retire os acentos de palavras como enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo, abencoo, povoo. Da mesma forma, retire os acentos de palavras como creem, deem, leem, veem, descreem, releem, reveem.

Por hoje é só. Na próxima coluna abordaremos a questão da aplicação do hífen. Um grande abraço aos leitores. Aproveito para agradecer às pessoas que acessaram minha coluna e elogiaram a iniciativa.

Até a próxima semana!

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Celso Charneca Leopoldino é graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pós-graduação em Marketing para Executivos e MBA em Gestão Socioambiental. Fez vários cursos nas áreas de gestão social e de gestão de comunicação estratégica. Possui mais de 35 anos de experiência em comunicação empresarial, gestão social, relações com comunidades e relações institucionais.