A beleza claustrofóbica de Gravidade

Não gosto muito de falar de filmes relativamente recentes. Prefiro comentar os filmes mais clássicos e menos populares, dando a vocês leitores à oportunidade de conhecerem e buscarem por essas obras menos divulgadas.

Hoje abrirei uma exceção. Isso porque assistindo novamente o genial GRAVIDADE, fiquei estupefato com a qualidade da produção, a coerência com a realidade e, principalmente, com a criatividade de filmagem de seu diretor.

Os elogios já se iniciam quando vemos um filme de 91 minutos com somente dois personagens não se tornar enjoativo e enfadonho. Muito pelo contrário. É um suspense que aumenta gradativamente os níveis de tensão, nos deixando cada vez mais interessados no que irá acontecer na próxima cena.

Com um roteiro simples, mostra um grupo de astronautas em uma missão espacial que, em determinado momento, são atingidos por destroços de um satélite russo enquanto trabalham na manutenção do telescópio Hubble. Aí começa a luta pela sobrevivência da especialista Dra. Ryan Stone (Sandra Bullock), que está em sua primeira missão, e do veterano astronauta Matt Kowalski, (George Clooney).

O que mais me chamou a atenção no filme foi a utilização da física da forma mais real possível levando em consideração as características do ambiente (espaço) em que o filme se passa. A ausência de sons externos aos capacetes e às capsulas das naves é muito legal, e nos fazem perceber o quanto pode ser incrível e ao mesmo tempo claustrofóbica aquela situação.

A inércia também é ponto chave na produção.  Os corpos girando continuamente, tendo a continuidade da câmera, a precisão de tempo em que os destroços circundam a terra e até mesmo a forma de se mover no espaço usando como propulsor um extintor de incêndio é algo fenomenal. Diga-se de passagem, a liberdade dada ao diretor pela inércia, nunca antes foi tão bem trabalhada.

A fotografia é algo fantástico, como seria uma viagem ao espaço acredito eu. Os contrastes entre a escuridão total, e as cores da terra criam um cenário maravilhoso e nos dão a exata proporção da imensidão do espaço.

As atuações de Sandra Bullock e George Clooney também são elogiáveis. Principalmente a dela. Com um treinamento específico para se mover lentamente, sem alterar a velocidade de sua fala, por exemplo, Bullock consegue nos transportar para aquele ambiente em que está inserida e compartilhar com ela toda angustia que passa, por exemplo, quando vê seu traje espacial com somente 1% da carga de oxigênio. É aterrorizante. Com vários planos fechados, as expressões têm de ser perfeitas, e isso é muito bem executado pelos atores.

Vale a pena assistir prestando muita atenção aos detalhes e simbolismos do filme. Um exemplo disso é vermos Bullock, após uma intensa batalha para entrar em sua capsula, retirar seu traje espacial em gravidade zero, ficando posteriormente em posição fetal, referenciando claramente o momento de total conforto e proteção que um bebê tem na barriga de sua mãe. Pra mim é a cena mais linda do filme e uma das mais belas dos últimos anos.

Pra quem já assistiu comente aqui. Pra quem não viu corre para TV que ele ainda está passando em vários canais por assinatura.

FICHA TÉCNICA
Nome original:Gravity
País de origem: EUA, Inglaterra
Ano de lançamento: 2013
Gênero: Drama, Ficção, Suspense
Duração: 91 min
Diretor: Alfonso Cuáron
Roteiristas: Alfonso Cuáron, JonásCuáron, George Clooney
Elenco: Sandra Bullock, George Clooney, Ed Harris (voz), OrtoIgnatiussen (voz), PhaldutSharma (voz), Amy Warren (voz), BasherSavage (voz), Janis Ahern (voz)

TRAILER

Comentários

André Luiz é publicitário, sócio fundador da Origami Propaganda, músico e um apaixonado pelo cinema. Viciado em páginas de Design e programas de culinária, mesmo sem saber aplicar nada na cozinha. Amante do futebol, tanto no campinho do bairro quanto nos grandes estádios, e das suas companhias: o "tira-gosto" e a cerveja.