Você sabe como foram feitos os trajes espaciais dos astronautas que pisaram na Lua?

Pouca gente sabe ou já se perguntou como são feitos os trajes usados por astronautas, mas as roupas que mantiveram os astronautas da Nasa vivos no espaço foram costuradas, um ponto a ponto, por uma talentosa equipe de costureiras especializadas.

A verdade é que uma das atividades mais antigas da história do homem, a costura, é também vital para a exploração no espaço. Jeanne Wilson tinha sete anos quando sua mãe a ensinou a costurar, e 19 quando integrou a equipe de costureiras responsáveis por vestir Neil Armostrong e Buzz Aldrin na missão Apollo 11.

Ela contou em um documentário que fazia sutiãs e cintos e que os materiais firmes, leves e flexíveis usados nas roupas íntimas femininas também eram desejáveis para trajes espaciais. “Nos trajes espaciais da Apollo, tudo era muito lento. Todo passo tinha que ser inspecionado, verificado, devido à importância do que estávamos fazendo.”

Para trabalhar na equipe, essas mulheres passara por um treinamento que incluía aprender a ler desenhos técnicos, trabalhar com engenheiros e costurar com precisão, usando linhas recém-projetadas e várias camadas delicadas de tecidos finos. Jeanne Wilson explicou que mesmo com 21 camadas, os trajes tinham uma espessura fina. “Por causa disso, podia-se pensar que o tecido não custava tanto — talvez cinco ou seis dólares por metro —, mas não: era quase US$ 3.000. Ficava literalmente trancado no cofre.”

Os trajes finalizados eram levados para um hospital local em Dover, no Estado de Delaware. Eles passavam duas vezes pela máquina de raio-X para garantir que não houvesse alfinetes ou qualquer outra coisa do tipo. Além dos macacões, elas também costuraram botas e luvas, sob medida, para cada astronauta da missão.

Não foram apenas os astronautas que pisaram na Lua que contaram com as mãos habilidosas de costureiras. Em 1973, um ano depois do fim das missões da Apollo, esse talento ajudou a salvar a primeira estação espacial americana, a Skylab. Poucos minutos após o seu lançamento, um escudo térmico micrometeoroide se deslocou, impedindo a tripulação de embarcar .

A costureira Aylene Baker foi recrutada para trabalhar num escudo de reposição. No mesmo documentário, seu filho Herb Baker explica que era um material de 22 por 24 pés. “Eram camadas muito finas de alumínio além do Mylar, um nylon laminado com outra camada fina de nylon. Um lado (do material) era laranja brilhante, o outro prateado”. O escudo térmico de reposição funcionou.

Atualmente, a Nasa continua recrutando costureiras para fazer seus trajes. E a costura também continua prosperando em outras áreas da indústria espacial. A espaçonave BepiColombo, da Agência Espacial Europeia, está atualmente a caminho de Mercúrio e o bordado de Yvonne Mayer. “Nunca me interessei muito pelas roupas. É mais interessante produzir algo mais técnico, então costuro o isolamento de naves espaciais.” O trabalho manual de Mayer ajuda a proteger os instrumentos da espaçonave de temperaturas de até 450 ºC.

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