Um dos mais extraordinários sistemas de buraco negro já encontrado foi divulgado

A BBC News divulgou na manhã dessa sexta-feira, 3 de maio, o comportamento inusitado de um buraco negro que vem fascinando e intrigando cientistas. Conhecido como V404 Cygni, ele está a 8 mil anos-luz de distância da Terra e foi identificado pela primeira vez em 1989.

O buraco negro passou mais de duas décadas na inatividade e, em 2015, despertou se tornando o objeto mais brilhante observado no espaço com raios-X de alta energia. Por isso, astrônomos do mundo todo apontaram seus telescópios para esse objeto celeste e descobriram que ele faz parte de um sistema binário, que absorve ou aspira material de sua estrela companheira.

O que torna isso o mais curioso, segundo o estudo publicado na revista científica “Natura”, é que esse buraco negro é capaz de disparar “balas” ou jatos em alta velocidade para expelir o material. Elas saem diretamente dos polos em uma linha perpendicular ao anel de matéria que os envolve, chamado disco de acreção.

Detalhe importante: os jatos são expelidos em diferentes direções, de forma curva, girando rapidamente como nuvens de plasma de alta velocidade, com apenas alguns minutos de intervalo. “É um dos mais extraordinários sistemas de buraco negro já encontrado”, disse o principal autor do estudo, James Miller-Jones, do Centro Internacional de Pesquisa em Radioastronomia da Universidade de Curtin, na Austrália.

A pesquisa divulgou detalhes como o fato do disco de acreção ter 10 milhões de quilômetros de diâmetro e a mecânica dele ser responsável pelo inusitado comportamento do jato. “O que é diferente no caso do V404 Cygni é que acreditamos que o disco de matéria e o buraco negro estão desalinhados”, explica Miller-Jones.

Acredita-se que, quando o V404 Cygni despertou em 2015, uma grande quantidade de matéria circundante caiu dentro do buraco negro ao mesmo tempo, fazendo com que a taxa de acreção ou queda de matéria no buraco aumentasse temporariamente e disparando a energia.

A pesquisa se baseou em observações do Very Long Baseline Array (VLBA), um radiotelescópio formado por dez antenas localizadas em diferentes enclaves dos Estados Unidos. Além disso, dados do observatório integral de alta energia da Agência Espacial Europeia (ESA) complementaram a pesquisa.

Agora, os cientistas investigam as causas do inusitado desalinhamento. Eles acreditam que o eixo de rotação do buraco negro tenha sido inclinado por um impacto durante a explosão estelar que o criou. A mudança no eixo de rotação pode se originar de um fenômeno chamado “efeito de arrasto de referenciais” (frame dragging, em inglês), previsto por Albert Einstein em sua teoria da relatividade geral.

Eles pretendem provar que, ao girar, o campo gravitacional rotatório do buraco negro, graças às sua intensidade, arrasta o espaço-tempo em seu entorno. A constatação, segundo os autores do estudo, irá ampliar o conhecimento sobre a formação de buracos negros.

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