Fotógrafo registra ‘berçário de estrelas’ no céu de Brasília

As lentes do fotógrafo Ronald Piacenti, de 56 anos, da região de Santa Maria, em Brasília registraram pelo menos cinco nebulosas que são, nada menos, que um berçário de estrelas. As imagens, divulgadas nesta quarta-feira, 6 de novembro, ganharam tons de roxo que se misturaram com o escuro do universo.

Segundo o fotógrafo, os pontos de luz representam a energia emitida por alguns astros há milhões de anos. Também é possível ver o momento da formação de novos “sóis”. Nas fotos, aparecem a nebulosa M16 (da Águia) – na constelação da serpente – e a nebulosa da Hélice (ou Helix) – na constelação de Aquário. Esta última, um “cemitério estelar”, onde há bilhões de anos ocorre a morte da estrela.

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Nos registros também aparecem as nebulosas: C 434 (Cabeça de Cavalo), na constelação de Orion; M20, à direita na constelação de Sagitário; Nebulosa da Rosa (Roseta Nebula), na constelação Monoceros e M8, também na constelação de Sagitário.

Para conseguir esse feito, Piacenti precisou de três noites de exposição. Ao jornal local, ele explicou que faz “as fotos com alguns segundos (de exposição). Faço várias delas. Depois empilho as imagens no computador até chegar ao resultado final. As imagens são combinadas uma a uma.”

De tons diversos, as nebulosas dão cores e luz ao espaço. Segundo o pesquisador, a cor da estrela determina a temperatura dela. Em alguns casos, como o da imagem feita pelo fotógrafo do Distrito Federal, filtros nas lentes e edições no computador complementam a tonalidade original das nuvens estelares.

Por sorte, além de registrar o nascimento de estrelas no céu, as imagens também mostram o momento da morte de alguns astros. Piacenti flagrou, por exemplo, os últimos momentos da nebulosa Helix (NGC 7293), que já foi chamada de Olho de Deus. O instante, apesar de imortalizado pela fotografia, ainda levará mais de 5 bilhões de anos para ser concluído. Segundo pesquisas astronômicas, uma estrela da dimensão do Sol tem um tempo de vida de cerca de 10 bilhões de anos.

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Na bagagem, além dos conhecimentos em astronomia, o fotógrafo também carrega dois telescópios com ângulos de visão diferentes, além de uma câmera especial para astrofotografia. “As lentes são refrigeradas em conjunto com os filtros, que têm melhor aproveitamento pra isso.”

Para o físico e astrônomo Paulo Brito, da Universidade de Brasília (UnB), o registro das nebulosas em fotografia significa mais uma possibilidade de conhecimento para a área. Para ele, “O amador (observador dos astros) contribui de forma extremamente significativa para ciência. Às vezes ele nem estudou física ou astronomia, mas tem toda a prática de olhar para o céu. Essa é a beleza da ciência”.

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